Riscos geopolíticos, seguros e continuidade de negócios na África

A instabilidade global deixou de ser algo que as empresas podem ignorar à distância. Mesmo organizações sem presença direta em zonas de conflito estão sentindo os efeitos, como o aumento dos custos de combustível, a interrupção das cadeias de suprimentos, o atraso em viagens e a crescente incerteza operacional.
Discussão do Podcast
Esse foi o tema central de um podcast recente apresentado pela Africa HR Solutions, no qual Alex Daruty e Viloshna Packiry Poulle conversaram com Mike Kelly e Joe Gleason, do The Baldwin Group, sobre o que as organizações que operam na África deveriam estar se preparando para fazer.
Mal-entendido sobre o risco
Uma das mensagens mais importantes da discussão foi que muitas empresas ainda não compreendem totalmente o risco. Como explicou Mike Kelly, a instabilidade geopolítica não afeta apenas as empresas que operam em regiões de alto risco. As cadeias de suprimentos globais estão tão interconectadas que uma interrupção em uma área pode impactar rapidamente organizações em outros locais.
Joe Gleason compartilhou um exemplo prático disso. Um cliente tinha executivos retornando do Leste Asiático via Doha quando um conflito no Oriente Médio interrompeu repentinamente as rotas de viagem. A organização não havia considerado o Oriente Médio como parte do risco, pois era apenas um ponto de trânsito. Mesmo assim, os funcionários ficaram retidos e a empresa teve que agir rapidamente.
Lacunas de preparação
Esse exemplo levou a uma conversa mais ampla sobre preparação. Joe explicou que muitas organizações acreditam estar preparadas porque possuem políticas, procedimentos e sistemas implementados. Mas, na realidade, os funcionários muitas vezes não sabem:
- Quem contatar em caso de emergência
- Como funciona a escalada
- Quando ativar os serviços de suporte
Isso cria uma lacuna perigosa entre o planejamento e a realidade operacional.
Principais áreas que as organizações devem analisar.
Ao ser questionado sobre o que as organizações deveriam analisar primeiro, Joe destacou diversas áreas práticas:
- saber para onde os funcionários estão viajando
- Entendendo as rotas de transporte público
- ter canais de comunicação confiáveis
- Garantir que os funcionários saibam quem contatar em caso de emergência.
Ele também destacou que muitas organizações já têm acesso a valiosos serviços de assistência médica e de segurança por meio de seus programas de seguro, mas os funcionários muitas vezes não sabem como ou quando utilizá-los.
O papel do seguro
A conversa então mudou para o tema de seguros. Mike Kelly explicou que muitas empresas presumem erroneamente que ter seguro significa automaticamente estarem protegidas. Na prática, a cobertura muitas vezes depende de exclusões, da redação da apólice e de as organizações terem seguido os procedimentos corretos para acionar o seguro.
Um ponto importante levantado foi que a maioria das apólices de seguro de viagem padrão exclui eventos relacionados a conflitos, a menos que sejam especificamente endossadas ou modificadas. A discussão também explorou o seguro de interrupção de negócios, o suporte em resposta a crises e a crescente importância de compreender exatamente como as apólices de seguro funcionam antes que as organizações precisem recorrer a elas.
Desafios da Continuidade da Força de Trabalho
Viloshna Packiry Poulle então retomou a discussão sobre a continuidade da força de trabalho. Ela explicou que, durante períodos de interrupção, os funcionários costumam se concentrar em questões simples, porém importantes:
- Ainda terei emprego?
- Vou continuar recebendo meu pagamento?
- Como a empresa me apoiará?
Para organizações que operam em toda a África, ela destacou a complexidade adicional relacionada à conformidade com a folha de pagamento, às mudanças nas regulamentações trabalhistas, à volatilidade cambial e aos pagamentos internacionais.
Gestão Integrada de Riscos
Ao longo da conversa, um tema se destacou repetidamente: a gestão de riscos não pode operar de forma isolada. Mike Kelly enfatizou que o preparo exige colaboração entre as equipes de RH, finanças, operações, jurídico e liderança. Joe acrescentou que as organizações devem realizar regularmente exercícios de planejamento de cenários para testar como responderiam a interrupções reais.
Olhando para o futuro
No final da discussão, a conversa se voltou para o futuro. A instabilidade iria melhorar? Mike e Joe concordaram que a imprevisibilidade provavelmente continuará fazendo parte do ambiente operacional global num futuro próximo.
Como disse Joe:
“A única certeza daqui para frente é a incerteza e a imprevisibilidade.”
Para as organizações que operam em toda a África, a mensagem foi clara. O preparo não é mais algo que as empresas possam tratar como uma atividade secundária. As organizações que melhor lidam com as crises são geralmente aquelas que se prepararam muito antes de seu início.
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